PARASHAT LECH LECHÁ

A IMPORTÂNCIA DO MEIO-AMBIENTE


Nos Caminhos da Eternidade
Rabino Isaac Dichi

“Vashem berach et Avraham bacol” (Bereshit 24:1) – E D’us abençoou Avraham em tudo.

Midrash Rabá (57:1) diz que esta bênção se refere ao fato de Hashem não ter voltado a testá-lo. Como se sabe, Avraham foi testado pelo Todo-Poderoso dez vezes e saiu-se bem em todos os testes que lhe foram impostos, principal-mente no último, que foi levar seu filho Yitschac à akedá, depois de tantos anos de ansiedade por ter um filho.

É evidente, que se Avraham fosse testado novamente pelo Criador, iria sair-se da melhor forma, pois sua crença, fé e dedicação ao Todo-Poderoso não tinham limites ou barreiras.

Não obstante, vemos que pelo ponto de vista de nossos sábios, o fato de Avraham não ser novamente submetido à prova, foi considerado uma berachá – uma bênção.

Por outro lado, nesta parashá vemos que Lot, o sobrinho e cunhado de Avraham, estava disposto a abandonar a companhia de Avraham e unir-se às pessoas de Sedom, as quais a Torá denomina de “raim vechataim Lashem meod” (Bereshit 13:13) – más e pecadoras a D’us em demasia.

Em que situação colocou-se Lot? A quem uniu-se e quais difíceis testes teve de enfrentar, a ponto de nossos sábios associarem a ele o seguinte versículo (Mishlê 13:20): “Holech et chachamim yechcam veroê kessilim yeroa” – Aquele que acompanha os sábios acrescenta sabedoria e aquele que lidera os tolos passa a fazer o mal com eles?

Enquanto Lot estava em companhia de Avraham, estava na situação de “Holech et chachamim yechcam” e no momento que dispensou esta companhia, passou de uma situação nobre e honrada para a situação vexatória e baixa de “roê kessilim yerôa”. Daqui inferimos, o quanto o meio-ambiente em que o indivíduo vive é importante, para que ele se mantenha em situação espiritual estável, com possibilidades de ascensão.

O simples fato de colocar-se em teste, já é considerado uma decadência, principalmente quando os motivos são materiais e os interesses, pessoais – que muitas vezes cegam o indivíduo. Ambições materiais levaram Lot a se separar de Avraham, pois percebeu que o Jordão era rico em água para poder abastecer seu rebanho.

Ao afastar-se dos sábios da Torá, a propensão do ser humano é afastar-se também do Criador e de seus mandamentos. Tende a conformar-se e a convencer-se de que sua situação espiritual não é tão ruim, porque as pessoas que o rodeiam são piores do que ele. Porém se estivesse em um ambiente de Torá, em companhia de sábios e estudiosos, estaria sempre atento quanto a seu nível espiritual e a sua elevação, carregando consigo o título de “Holech et chachamim yechcam”.

Esta parashá comprova que ao afastar-se dos sábios da Torá, o indivíduo afasta-se também de D’us, conforme diz a Torá“Vayissá Lot mikedem” (Bereshit 13:11). A explicação deste passuc – Vayissá Lot Micadmonô shel olam – e afastou-se Lot do Antecessor do Universo. Rashi explica, que Lot manifestou-se assim: “Não me interessa Avraham, nem o seu D’us!” Ou seja: Lot afastaria-se de Avraham, um grande sábio, e conseqüentemente afastaria-se também de D’us.

Mesmo que o indivíduo planeje separar-se de um ambiente sadio apenas por algum tempo, o simples fato de desligar-se deste meio já é considerado uma decadência. Isso deixa no indivíduo uma nódoa negativa cuja recuperação torna-se difícil.

Para demonstrar a importância do meio em que vivemos, nossos sábios trazem no Pirkê Avot um acontecimento que se passou com Rabi Yossef ben Kismá.

Certa vez, Rabi Yossef ben Kismá encontrou um indivíduo no caminho que o saudou, dizendo-lhe shalom e lhe perguntando de que lugar era ele. Rabi Yossef ben Kismá respondeu que vinha de uma grande cidade de sábios e escrivãos. Esse indivíduo, então, convidou-o para morar em sua cidade, oferecendo-lhe muitas riquezas. Rabi Yossef ben Kismá respondeulhe, que mesmo que lhe fossem dadas todas as riquezas do mundo, somente moraria em lugares onde houvesse Torá, porque após o falecimento não são as pedras preciosas, o ouro e a prata que nos acompanham, mas somente a Torá e suas mitsvot.

Baseado no livro Mishnat Rabi Aharon,
de autoria do Rabino Aharon Kotler zt”l