PARASHAT TSAV

O AGRADECIMENTO A D'US MEDIANTE O CORBAN TODÁ E BIRCAT HAGOMEL


Nos Caminhos da Eternidade
Rabino Isaac Dichi

As primeiras parashiyot do livro Vayicrá tratam exclusivamente dos corbanot (oferendas) feitos no Mishcan e posteriormente no primeiro e no segundo Bêt Hamicdash.

Nesta parashá a Torá menciona o Corban Todá, que não era trazido para perdoar alguém. Era ofertado em agradecimento ao Todo-Poderoso por ter-lhe feito um bem em quatro situações diferentes. Conforme nos diz o Talmud“Arbaá tserichin lehodot” – Quatro são os que precisam agradecer:

a) Quem esteve navegando em alto-mar – “Yoredê hayam baoniyot”.

b) Quem esteve no deserto – “Taú bamidbar bishimon darech”.

c) Quem esteve doente e restabeleceu-se “Yishlach devarô vayirpaem”.

d) Quem esteve preso e foi libertado – “Assirê oni uvarzel”.

“Yodu Lashem chasdô venifleotav livnê adam” – Agradeçam ao Eterno pela Sua bondade e por Suas maravilhas para com os seres humanos.

Além de oferecerem o Corban Todá, devem recitar o Bircat Hagomel, que é uma bênção especial para estas situações. Esta berachá é dita na presença de um minyan na sinagoga, normalmente nos dias em que há leitura da Torá; ou seja, nas segundas, quintas e sábados de manhã ou à tarde.

Em nossos dias, nos quais estamos privados de nosso Bêt Hamicdash, resta-nos, nessas quatro situações, apenas recitar essa berachá, uma vez que, enquanto o Templo não for reconstruído, é-nos proibido fazer oferendas.

Na época do Bêt Hamicdash, a carne deste corban só podia ser consumida no dia em que ele foi feito até o meio da noite. Por isso, o indivíduo que fez o corban precisava convidar parentes e amigos para participarem com ele de sua alegria, pela bondade que o Todo-Poderoso lhe concedeu. Dessa forma, narrava os momentos difíceis pelos quais passou e fazia refletir em seus convidados a felicidade deste momento.

Isso é necessário, porque normalmente, com o passar do tempo, tendemos a esquecer as benfeitorias e os milagres que D’us nos fez. Acabamos encontrando motivos e explicações naturais de como saímos do apuro que nos encontrávamos. A Torá, entretanto, quer nos educar, para que isso não venha a acontecer e que a memória das bondades que o Criador nos faz fique firme em nossas mentes.

No momento em que oferecia o corban, o indivíduo, que o trazia como agradecimento, recitava um capítulo do Tehilim, que atualmente costumamos recitar todos os dias após o Baruch Sheamar – o Mizmor Letodá. Neste capítulo consta a frase: “Ivdu et Hashem bessimchá” – Sirvam ao Todo-Poderoso com alegria – e encontramos nele o motivo pelo qual se justifica servi-Lo com alegria.

Da mesma forma que uma criança está sempre sorridente, assim também nós, adultos devemos servir ao Todo-Poderoso naturalmente com satisfação e alegria. Do mesmo modo que uma criança sabe que deve recorrer a seus pais para ser prontamente atendida, “anachnu amô vetson mar’itô” – nós somos o Povo escolhido de D’us e o rebanho do qual Ele é o Pastor. Portanto, fatalmente Ele haverá de prover nossas necessidades.

Não temos motivos, portanto, para nos preocuparmos. Se vivermos continuamente com o pensamento de que somos Seus filhos, será um júbilo para nós e isso será suficiente para servirmos a Ele com satisfação e alegria.

Baseado no livro Min Habeer