PARASHAT PINECHÁS

RESPONSABILIDADE COLETIVA


Nos Caminhos da Eternidade
Rabino Isaac Dichi

Encontramos nesta parashá dois exemplos, que refletem a responsabilidade que cada um de nós deve sentir em relação ao nosso povo.

Pinechás, um homem até então desconhecido – embora fosse neto de Aharon, irmão de Moshê – ao perceber o quão grave era o envolvimento dos Filhos de Israel com as moças de Moav e de Midyan, ao ponto de se envolverem até mesmo com a idolatria destes povos, sentiu-se na obrigação de sair do anonimato e tomar a drástica atitude de matar o chefe da tribo de Shim’on, Zimri ben Salu, e Kosbi vat Tsur, com a qual ele se envolvera.

Embora tivesse a seu redor homens como seu tio-avô Moshê, seu avô Aharon e seu pai El’azar, Pinechás achou correto tomar esta iniciativa, frente à situação na qual se encontravam. Não levou em consideração o fato de que talvez não coubesse a ele esta tarefa, pois seu senso de responsabilidade pelo seu povo não lhe permitiu este tipo de alegação, já que todo o Povo de Israel corria perigo. E a desgraça que acometera o povo e deixado um grande número de mortes (24.000 pessoas) só cessou, após Pinechás ter tomado essa atitude, como consta no fim de Parashat Balac“Vateatsar hamaguefá” (Bamidbar 25:8) – E cessou a mortandade dos Filhos de Israel.

O outro exemplo desta parashá cabe aos filhos de Côrach, sobre os quais se diz: “Uvnê Côrach lô mêtu” (Bamidbar 26:11) – E os filhos de Côrach não morreram.

Sabe-se, que em princípio, os filhos de Côrach tinham-se envolvido na rebelião que seu pai tinha deflagrado contra Moshê e Aharon. Rashi nos diz, sobre este versículo, que no meio da rebelião eles refletiram sobre a teshuvá e arrependeram-se sobre o seu envolvimento na revolta. Então o Todo-Poderoso preparou-lhes um lugar mais alto no Guehinam para eles ficarem. Cabe-nos perguntar: Se eles realmente se arrependeram e se redimiram de sua atitude, por que não salvá-los totalmente do Guehinam?

Em seu livro sobre a Torá, o Ketav Sofer traz a seguinte explicação: a Mishná (Avot 5:18) nos diz, que todo aquele que beneficia os outros (incentivando-os a cumprir as mitsvot) é preservado do pecado e todo aquele que influencia os outros ao mau caminho, induzindo-os a pecar, não se lhe dá a oportunidade de fazer teshuvá.

A explicação dessa Mishná, conforme Rabênu Ovadyá Mibartenura, é que quando alguém fomenta o bem, todos aqueles que seguiram o caminho indicado por ele são merecedores e, portanto, não é justo que seus discípulos estejam no Gan Êden e ele no Gehinam. Da mesma forma, não é justo que o indivíduo que influenciou a outros para o mal, e que com o tempo se recuperou e passou a ser merecedor, esteja no Gan Êden, enquanto seus discípulos estejam no Gehinam.

Portanto, os filhos de Côrach, que em princípio estavam diretamente envolvidos na rebelião e depois se regeneraram, deveriam exercer influência naqueles que os seguiram, para que se arrependessem também. Assim seriam totalmente redimidos do Gehinam.