Leis Ligadas ao Mês de Nissan
Em cada comunidade, deve-se tomar as devidas providências para suprir as necessidades (matsá e outras) das pessoas carentes. Todos têm obrigação de participar.
Na véspera de Pêssach (segunda-feira, 22 de abril), os primogênitos devem jejuar.
Há o costume de os primogênitos participarem de um “siyum massêchet” - término de estudo de um tratado do Talmud ou da mishná. Os primogênitos que participarem do “siyum massêchet” e, em seguida, de uma seudat mitsvá, a refeição comemorativa do encerramento, não precisarão mais jejuar neste dia. É costume comer mezonot nesta seudat mitsvá, no mínimo a quantidade de um kezáyit, para se poder fazer a berachá acharoná - a bênção posterior.
Para que os primogênitos não precisem jejuar neste dia, não é suficiente que tomem um pouco do vinho servido na refeição comemorativa. Devem, isso sim, participar dela.
A Venda do Chamets
Da mesma forma que a Torá nos proíbe comer chamets durante os dias de Pêssach, assim também nos é proibido possuir chamets em qualquer propriedade que nos pertença. Porém, se este chamets for vendido a um não judeu, não mais nos pertencerá, podendo ser readquirido depois de Pêssach.
Por isso, todo o chamets do qual não nos desfizermos deve ser vendido a um não judeu, para que não esteja em nossa posse durante os dias de Pêssach. Uma vez que a maneira correta de vender o chamets, segundo as leis da Torá, não é conhecida por todos, costuma-se vender o chamets por meio de um rabino, nomeando-o nosso representante para esta venda. Os interessados em vender o chamets devem assinar a procuração de venda até domingo, dia 21 de abril, pois a venda será realizada na segunda-feira pela manhã.
O chamets que foi vendido a um não judeu deve ser guardado e trancado para que as pessoas da casa não venham a consumi-lo. Se durante Pêssach alguém necessitar de algo que não seja chamets do armário trancado onde se encontra o chamets, poderá retirá-lo.
É proibido consumir ou usufruir do chamets que não foi vendido e passou o Pêssach em posse de um judeu. Portanto, não se deve comprar chamets de um judeu - em supermercados, armazéns - que não tenha efetuado a venda do chamets durante Pêssach através de um rabino.
Vistoria e Eliminação do Chamets
Chamets é todo o alimento que contém um ou mais dos seguintes cereais: trigo, cevada, trigo-sarraceno (cashe), aveia e centeio ou seus derivados, como por exemplo: cerveja, vodca, whisky. Qualquer alimento ou bebida que contém algum chamets é considerado chamets (quanto ao uso de remédios e cosméticos em Pêssach, consulte um rabino).
Na noite anterior à noite do Sêder (domingo, 21 de abril) realiza-se uma minuciosa vistoria de todo o chamets que porventura esteja em nossa propriedade.
A vistoria deve ser efetuada logo que aparecerem as primeiras estrelas no céu, por volta das 18h20m (horário para a cidade de São Paulo), após a oração de Arvit.
A partir de meia hora antes da vistoria, ou seja, por volta das 17h50m (horário para São Paulo), é proibido realizar qualquer trabalho ou refeição que contenha mais de (aproximadamente) trinta gramas de pão, bolo, biscoitos ou massas, até depois da vistoria, sendo, entretanto, permitido comer frutas ou verduras mesmo em quantidade.
Caso alguém viaje antes da noite da vistoria do chamets, dentro dos 30 dias anteriores a Pêssach, mesmo que não passe Pêssach em sua casa, deve realizar esta vistoria na noite anterior à sua partida, porém sem a bênção de Al Biur Chamets. Se outra pessoa ficar na casa durante Pêssach, o dono da casa pode encarregá-lo de revistar a casa em seu lugar, porém, deve nomear expressamente esta pessoa como sua suplente para revistar e destruir o chamets.
Se uma pessoa viajar antes de se iniciarem os trinta dias anteriores a Pêssach e não pretender voltar para Pêssach, não precisa fazer a vistoria. Se pretende voltar antes ou durante Pêssach, deve realizar a vistoria na noite antes da partida sem pronunciar a bênção.
Nos casos acima (se estiver viajando) não deve esquecer de fazer as anulações do chamets no lugar onde estiver, normalmente.
Quem tiver esquecido de revistar o chamets na noite precedente à véspera de Pêssach, deve fazê-lo no dia seguinte, logo que se lembrar, com a bênção de Al Biur Chamets. Esta revista, mesmo sendo durante o dia, também precisa ser feita à luz de vela.
A vistoria do chamets deve ser feita em qualquer recinto onde talvez tenha sido introduzido chamets durante o ano, como por exemplo: nos quartos, nos armários, nas gavetas, na cozinha, na geladeira, no freezer, no forno, na despensa, nos recipientes de mantimentos, dentro de automóveis, etc.
Não se costuma realizar a vistoria do chamets no quarto onde se guarda o chamets que é vendido (através de um rabino) ao não judeu. Também é preciso fazer a vistoria do chamets em lojas, escritórios, consultórios, etc. Em caso de dificuldade, consulte um rabino.
Os livros que durante o ano são usados durante as refeições, como sidurim, devem ser minuciosamente limpos de qualquer vestígio de chamets.
A vistoria do chamets deve ser realizada à luz de vela, de preferência com vela de cera ou parafina, mas não com uma vela de vários pavios como a vela de Havdalá, pois esta é considerada uma tocha e não uma vela. Nos lugares da casa onde se receia introduzir até mesmo uma vela comum, por serem muito estreitos ou inflamáveis, e dentro do automóvel, deve-se procurar o chamets com uma lanterna.
Há quem costume apagar as luzes do recinto onde se realiza a vistoria para realçar a luz da vela.
Antes da vistoria, costuma-se colocar dez pedacinhos de chamets em locais onde possam ser encontrados durante a vistoria. Estes pedacinhos devem ser pequenos. É preciso tomar o cuidado de recolher todos os dez pedacinhos durante a vistoria; porém, se algum deles estiver faltando, não é preciso voltar a vasculhar todos os quartos. Contudo, não devemos esquecer de pronunciar o texto de Cal Chamirá, que é a anulação do chamets.
Antes de iniciar a vistoria do chamets, deve-se dizer a berachá de Al Biur Chamets com alegria, por estar cumprindo uma mitsvá (ao pronunciar a berachá a seguir, deve-se ler o hífen “-” como a letra “o”):
“Baruch atá Ad-nay El-hênu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav vetsivánu al biur chamets.”
“Bendito és Tu, Senhor nosso D’us, Rei do Universo, Que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou a eliminação do chamets.”
É proibido fazer qualquer interrupção entre a berachá e o início da vistoria do chamets. Se houver interrupção que não esteja relacionada com a vistoria, deve-se repetir a berachá. Pedir algo necessário para a vistoria, como por exemplo, uma vela, um sidur, sacola de papel para guardar o chamets recolhido, etc., não é considerado interrupção.
Quem esqueceu de recitar a berachá e já terminou a vistoria, deve recitá-la no dia seguinte antes de queimar o chamets, sem pronunciar o nome de D’us: “Baruch asher kideshánu bemitsvotav vetsivánu al biur chamets”. Porém, se ainda não tiver terminado a vistoria totalmente, dirá a berachá normalmente.
Se o chefe da família quiser dividir a realização da vistoria com os outros membros da família, é necessário que estes estejam presentes na hora em que ele pronunciar a berachá, tendo em mente que ela também é válida para eles. Estes familiares devem ouvi-la com atenção e responder amen intencionando participar da vistoria. Depois disso, com uma vela, podem ir fazer a sua vistoria nos locais combinados de antemão.
Quem tiver de fazer vistoria também em sua loja, consultório, outras propriedades, automóvel, basta ter isso em mente quando fizer a berachá da vistoria em sua casa e depois prossegui-la nesses locais. O fato de ter que sair de casa não constitui uma interrupção da vistoria, por isso não requer uma nova berachá.
A berachá da vistoria não é “Al Bedicat Chamets” (sobre a vistoria do chamets) e sim “Al Biur Chamets” (sobre a eliminação do chamets), pois o objetivo desta vistoria é achar chamets para efetuar sua eliminação no dia seguinte.
Não se diz “Shehecheyánu” após a berachá, pois já que a vistoria só é feita em função do yom tov (para que durante Pêssach não haja chamets em casa), ela já está incluída no “Shehecheyánu” que é pronunciado após o Kidush.
Logo após a vistoria, é preciso despojar-se verbalmente do chamets, excluindo-o de nossa propriedade. Esta declaração constitui o Cal Chamirá que é recitado após a vistoria. O Cal Chamirá não é uma oração e deve ser pronunciado, de preferência, em um idioma que se entende, pois o importante é compreender o que se está declarando. Os sefaradim costumam recitá-lo três vezes e os ashkenazim apenas uma:
“Cal chamirá deica virshuti, delá chazitêh, udlá viartêh, livtil, velehevê keafrá dear’á.”
“Todo o chamets (lêvedo e levedado) que esteja em meu poder, aquele que não o vi e não o eliminei, que seja anulado e considerado como o pó da terra.”
Todo o chamets encontrado durante a vistoria e o que será consumido na manhã seguinte deve ser guardado em local alto, fechado e seguro, longe do alcance de crianças e animais domésticos.
Na manhã seguinte só é permitido comer chamets até as 09h30m (horário para São Paulo). Até às 10h40m deve-se queimar todo o chamets que sobrou e que foi achado na vistoria. Após queimar o chamets, faz-se a sua anulação verbal (semelhante à da noite anterior, porém mais completa). Os sefaradim costumam recitar esta anulação três vezes e os ashkenazim apenas uma:
“Cal chamirá deica virshuti dachazitêh udlá chazitêh, deviartêh udlá viartêh, livtil velehevê keafrá dear’á.”
“Todo o chamets (lêvedo e levedado) que esteja em meu poder, que o tenha visto ou que não o tenha visto, aquele que eliminei e aquele que não eliminei, que seja anulado e considerado como o pó da terra.”
Todo o lixo que talvez contenha chamets deve ser jogado fora - posto para fora de casa - antes das 10h30m da manhã da véspera de Pêssach. O mesmo deve ser feito com o pó e chamets aspirados pelo aspirador de pó.
O chamets encontrado no yom tov, ou Shabat chol hamoêd, não pode ser removido - por ser muctsê - nem destruído no yom tov ou no Shabat; ele deve ser coberto com um utensílio até o término do yom tov ou do Shabat e então deve ser queimado. O chamets encontrado em chol hamoêd, fora do Shabat, deve ser queimado ou destruído imediatamente.
A Véspera de Pêssach
É proibido comer matsá na véspera de Pêssach desde a aurora (alot hasháchar) até a hora do Sêder. Há quem costume não comer a partir de Rosh Chôdesh Nissan.
Da mesma forma, neste período não se pode comer bolo com farinha de matsá. Porém, pode-se, até a décima hora do dia (aproximadamente 16h00m em São Paulo), comer farinha de matsá que foi cozida, como por exemplo os bolinhos (kneidlach) feitos de farinha de matsá colocados na sopa.
A partir da décima hora do dia, na véspera de Pêssach, não se deve comer, a não ser frutas, verduras, carne, peixes; mesmo destes não se deve comer muito para poder ter apetite no Sêder ao comer a matsá, que é mitsvá.
Na véspera de Pêssach devemos cortar o cabelo e as unhas antes de chatsot - aproximadamente meio dia.
Leguminosas em Pêssach
Há dezenas de gerações, é costume entre os ashkenazim não consumir nenhuma espécie de leguminosas - kitniyot - em Pêssach e este costume deve ser cuidadosamente respeitado. Os sefaradim, que têm o costume de não consumir certas leguminosas, como o grão-de-bico (humus), por exemplo, devem também respeitar esta tradição. No entanto, estas leguminosas não são consideradas chamets, de modo que não é preciso vendê-las ao não judeu, sendo permitido tê-las em casa em Pêssach.
Algumas destas leguminosas são: amendoim, arroz, ervilha, fava, feijão, gergelim, grão-de-bico, lentilha, milho, mostarda, soja, vagem.
Mesmo aos ashkenazim é permitido o consumo de leguminosas para crianças que necessitem delas. É recomendável, entretanto, reservar utensílios especiais para este fim.
Deve-se limpar muito bem as leguminosas, revisando-as três vezes.
A mulher casada deverá seguir o costume do seu marido, não sendo necessário fazer Hatarat Nedarim (anulação de votos) no caso de uma mudança de costumes. Algumas opiniões, porém, recomendam a Hatará.
Veja mais detalhes e as referências
bibliográficas no livro “Pêssach e Suas Leis”