
Aconteceu com um lindo menino chamado Reuven.
Certo dia o garotinho passou muito mal e foi levado às pressas para o hospital. Quando chegou no pronto socorro, fez alguns exames e logo os médicos decidiram que ele precisava ser operado com urgência.
Sará, a mãe do menino, ficou apavorada com a notícia tão repentina. Ela se aproximou dos médicos chorando e, muito emocionada, pediu a eles para que cuidassem do Rubinho com muita atenção e cuidado. Ela explicou, entre prantos e soluços, que aquele garotinho era muito precioso para ela, pois havia nascido após quinze anos de casamento...
O pedido de Sará penetrou no coração dos médicos comovidos que, imediatamente, contactaram o maior especialista do hospital para operar o pequeno Reuven.
A operação foi realizada com atenção redobrada e, Baruch Hashem, foi muito bem sucedida.
Durante os dias de convalescência no hospital, os médicos perceberam que dez crianças vinham visitar o menino diariamente.
Curiosos, os médicos perguntaram a Sará quem eram aquelas crianças. Ela respondeu que eram os filhos que Hashem lhe havia concedido.
Os profissionais ficaram indignados e perguntaram à senhora por que ela os havia enganado. Eles estavam certos que Reuven era filho único e tinha nascido após quinze anos de um casamento sem filhos.
Sará respondeu que não havia enganado ninguém. Que Reuven de fato só havia nascido após quinze anos de casamento, conforme ela dissera ao chegar no hospital... E acrescentou que ninguém perguntara se ela tivera outros filhos anteriormente...
Sará enganou os médicos? O que ela fez foi correto?
O Veredicto
Sará, de fato, enganou os médicos. Obviamente suas palavras deram a entender que Reuven era seu filho único querido, nascido após quinze anos de um casamento sem filhos.
Apesar de tratar-se de um caso envolvendo perigo de vida, de todos os modos parece que, em princípio, não se deve agir assim.
Não se deve enganar o próximo. Hashem representa a verdade. E para que os médicos tenham sucesso na operação, necessitam de Ajuda Divina. A ajuda Divina é concedida a quem segue os caminhos de Hashem. Sendo assim, não é necessário enganar ninguém ou mentir para ser bem sucedido!
Sobre este caso, o Rav Yossef Shalom Elyashiv zt”l disse ao Rav Zilberstein que, se a mãe suspeitasse que seu filho não seria bem tratado, ela estaria permitida a agir desta forma, para que fosse providenciado um tratamento adequado a ele. Porém, se o paciente já estava sendo bem assistido e, mesmo assim, ela estava querendo obter um tratamento especial, então estaria proibida de agir da forma como agiu.
Do semanário “Guefilte-mail”
([email protected]).
Traduzido de aula ministrada pelo Rav Hagaon Yitschac Zilberstein Shelita
Os esclarecimentos dos casos estudados no Shulchan Aruch Chôshen Mishpat são facilmente mal-entendidos. Qualquer detalhe omitido ou acrescentado pode alterar a sentença para o outro extremo. Estas respostas não devem ser utilizadas na prática sem o parecer de um rabino com grande experiência no assunto.