Introdução - Três categorias de berachot: nehenin, mitsvot e hodaá
Há três categorias de berachot:
Birchot Hanehenin - bênçãos que são recitadas sobre alimentos, bebidas e fragrâncias.
Birchot Hamitsvot - bênçãos para o cumprimento das mitsvot, como aquelas que são recitadas ao colocar as tefilin, antes de acender as velas de Shabat, etc.
Birchot Hashêvach ou Birchot Hodaá - bênçãos para o louvor e agradecimento, como aquelas que são recitadas ao testemunhar fenômenos naturais como raios, trovões, arco-íris, etc.; como as três últimas bênçãos da Amidá e outras preces (Rambam, Hilchot Berachot 1:2-5).
O texto das birchot hamitsvot
O texto das “birchot hamitsvot” - as bênçãos sobre as mitsvot que fazemos, como por exemplo, tefilin, shofar, sucá, lulav, meguilá é: “Baruch Atá, Ad*nay El*hênu Melech Haolam, Asher kideshanu bemitsvotav vetsivanu...”
Ao colocar as tefilin: ...“Lehaniach Tefilin”.
Ao ouvir e tocar o shofar: ...“Lishmoa Col Shofar”.
Ao sentar para comer na sucá: ...“Leshev Bassucá”.
Ao tomar o lulav: ...“Al Netilat Lulav”.
Ao ler e ouvir a meguilá: ...“Al Micrá Meguilá”.
O texto das birchot hashêvach
O texto das “birchot hashêvach” ou “birchot hodaá” - bênçãos pelas quais nós louvamos ou agradecemos a D’us - é: “Baruch Atá Ad*nay El*hênu Melech Haolam...” Nestes casos não se acrescenta “asher kideshanu bemitsvotav vetsivanu”, pois não fomos ordenados na prática de alguma mitsvá como no parágrafo 1.
Toda bênção precisa ter o Nome de D’us
Toda bênção precisa ter o nome de D’us - Ad-nay, El-hênu - e também Melech Haolam, que é a declaração que D’us é o Rei do Universo.
Se omitir a palavra Atá
Se o indivíduo omitir a palavra “Atá” (de baruch Atá), bediavad, a posteriori - após o fato consumado - a bênção será válida.
Se omitir um dos dois Nomes de D’us
e se omitir os dois Nomes de D’us
Se o indivíduo disser ou Ad’nay ou El-hênu, ou seja, omitindo um dos dois nomes, a bênção será válida bediavad (após o fato), contanto que tenha dito ou Ad-nay ou El-hênu. Se omitir os dois nomes de Hashem, a bênção não será válida e haverá a necessidade de repeti-la.
Se omitir a palavra Haolam
Se o indivíduo omitir a palavra haolam, a bênção não será válida, havendo a necessidade de repeti-la.
O que devemos pensar ao recitar as berachot?
Ao recitar alguma bênção, devemos pensar na tradução literal do texto.
a) Ao pronunciar o nome de D’us - Ad-nay - devemos pensar literalmente que o Criador é “Adon Hacol” - o Dono, o Possuidor de tudo. Também devemos pensar na grafia do nome de D’us, pois ele é escrito com a letra yud, a letra hê, a letra vav, e a letra hê. Estas letras significam que Hashem “Hayá, Hovê Veyihyê” - Foi, É e Será.
b) Ao pronunciar El-hênu, devemos pensar que o Criador é “Takif, Báal Haycholet Uváal hacochot culam” - o Todo-Poderoso, Que possui o Poder absoluto sobre tudo e sobre todos.
Consta nos possekim (legisladores da lei judaica) em nome de um dos grandes possekim do passado, que é correto fazer uma declaração no início do dia que valha para o resto do dia. Agindo assim, o indivíduo atesta, que toda a vez que ele pronunciar o nome de D’us - Ad-nay e El-hênu - estará incluído na declaração que fez de manhã.
O texto da declaração é o seguinte: “Harêni mekaven meatá ad lemachar, baet hazot, bechol páam sheazkir shem Hashem Hacadosh, Shehu biktivatô Hayá, Hovê Veyihyê, uvcriatô shehu Adon hakol. Uksheazkir shem Elokim, Shehu Takif Uváal haycholet Uváal hacochot culam, Ilat hailot Vessibat hassibot.”
Há quem sustente que essa declaração não tem o efeito desejado e que o ideal é pensar todas as vezes conforme o esclarecido no parágrafo 1.
Para aqueles que tiverem dificuldade em pensar o citado no parágrafo 1 todas as vezes que pronunciarem os Nomes Divinos, esta declaração poderá servir em parte.
Há quem tenha escrito que este pensamento apenas se faz necessário em especial na pronúncia das bênçãos e não nos textos corridos que figuram os nomes de D’us. Vide parágrafo 6.
O pensamento e a intenção
ao recitar as berachot
Disseram nossos sábios (Berachot 47), que o indivíduo não deve “jogar” a berachá de sua boca, mas sim refletir durante a pronúncia recitando as berachot devagar e tranquilamente.
O Mishná Berurá traz em nome do Sêfer Chassidim que, quando alguém recita uma berachá, antes de ingerir frutas ou antes de fazer alguma mitsvá, deve dirigir sua mente ao Criador, refletindo que por intermédio de Suas maravilhas e de Sua bondade, Ele nos dá as frutas e o pão para que tenhamos proveito. Não devemos recitar as bênçãos como hábito e sem ponderar sobre o que estamos pronunciando. Referente a esse comportamento, o Todo-Poderoso zangou-se com Seu povo, e enviou Seu profeta Yeshayá com a seguinte mensagem: “Este povo se dirigiu com sua boca, e com seus lábios Me respeitam, porém seu coração está distante de Mim.” (Yesha’yáhu 29:13)
O pensamento e a intenção que devemos ter ao recitar as berachot se faz necessária especialmente no primeiro versículo do “Keriat Shemá”, onde a concentração nele é indispensável.
Cem berachot por dia
Devemos recitar, no mínimo, cem berachot (bênçãos) por dia.
O Rei David instituiu cem berachot por dia, porque em sua época houve um período no qual morriam cem pessoas por dia e não se sabia o motivo. O rei David pesquisou e constatou, por intermédio do ruach hacôdesh que recitando cem bênçãos ao dia esta tragédia cessaria, como de fato aconteceu.
Nossos sábios encontraram um semach (uma sustentação para esta instituição) no versículo4 “Veatá Yisrael, má Hashem Elokêcha shoel meimach? Ki im leirá et Hashem!” - E agora Israel, o que Hashem teu D’us pede de ti? Apenas que se tema Hashem. Nossos sábios disseram: “Al tikrê má (não leia o que) ela meá” (mas sim, cem) berachot. E assim, por intermédio das cem bênçãos, o indivíduo teme e ama o Criador e lembra Dele todos os dias (vide prefácio - “meticulosidade em fazer a berachá com intenção traz muita fartura”).
Consideração das cem berachot
Para a consideração das cem berachot, calcula-se a partir de Arvit até o fim da tarde seguinte; consequentemente, inclui-se as três orações do dia - Arvit, Shachrit e Minchá.
Quando o indivíduo recitar o Bircat Hamazon da Seudá Shelishit do Shabat após a saída das estrelas, as 4 bênçãos desse Bircat Hamazon serão consideradas como parte das bênçãos do dia seguinte (domingo).
Há quem sustente que, já que a seudá foi iniciada quando ainda era dia e a refeição pertence ao Shabat, então as bênçãos do Bircat Hamazon da Seudá Shelishit serão consideradas parte das bênçãos dos Shabat.
Quando as cem berachot não forem atingidas
Quando as cem berachot não forem atingidas, devemos completar o que estiver faltando com as bênçãos de “Asher Yatsar” e com as bênçãos sobre os alimentos.
Veja o cálculo do número de berachot recitadas em todos os dias do ano no final deste capítulo.
Se alguém no Shabat não tiver frutas ou quaisquer outros alimentos para completar cem berachot, a mitsvá poderá ser cumprida, em caso extraordinário, ao prestar atenção e responder amen sobre as bênçãos dos que sobem para ler a Torá e sobre as berachot do maftir.
Como completar cem berachot em Yom Kipur
No Yom Kipur, por faltar um número razoável de berachot, também é possível cumprir esta obrigação ao ouvir as bênçãos da Torá e do maftir de Shachrit e Minchá, que totalizam vinte e nove berachot. Contudo, mesmo assim faltarão algumas berachot - quatro para ashkenazim e cinco para sefaradim - para completar cem. Para perfazer a cota necessária, podemos recitar a berachá sobre bessamim, ao cheirar especiarias. Porém neste caso, devemos tomar cuidado para não recitar novamente a berachá enquanto não desviarmos nossa atenção. As cem berachot podem ser atingidas também com a berachá de “Asher Yatsar”.
No caso das bênçãos da Torá e do maftir, é necessário ouvir na íntegra a berachá de quem a está pronunciando.
As berachot que um indivíduo ouve de outro para cumprir com a obrigação - como por exemplo a berachá sobre o shofar, sobre a sucá, o Kidush, o Hamotsi - estão incluídas no número de cem berachot.
O chazan que recita a chazará da amidá (repetição da tefilá), considerará (somente para ele mesmo) essas bênçãos como parte das cem berachot.
As mulheres não têm esta obrigação de cem berachot por dia.
Consta ainda em nome do Rabino Shelomô Zalman Oyerbach z”tl, que quando consultado sobre o que se deve fazer em momentos de dificuldade, ele recomendava o cumprimento deste preceito de recitar cem bênçãos por dia.