
O livro “Voices in the Silence” relata a história de uma família judia e seus esforços para manter o judaísmo e os mandamentos da Torá, apesar do terror que reinava contra a religião por parte dos comunistas que tomaram o poder na Rússia.
Os comunistas proibiram que qualquer pessoa recebesse convidados para dormir em suas casas sem autorização. Visitantes em uma cidade eram obrigados a registrar-se na polícia para especificar, entre outras coisas, o local onde estavam se hospedando.
Esta família judia, entretanto, recebeu “ilegalmente” uma viúva e suas duas filhas como hóspedes por uma noite - e elas acabaram permanecendo um ano. Mas elas não eram “visitas fáceis” para compartilhar um apartamento de um dormitório por tanto tempo.
Certo dia, a filha do dono da casa, de onze anos de idade, perguntou ao seu pai:
- Como é possível cumprir o mandamento da Torá: “Ame o seu próprio como a si mesmo”? Isto não vai contra a própria natureza humana? Se for assim, por que a Torá nos ordenou cumpri-lo? Nenhuma das mitsvot da Torá nos pede para vivermos de forma contrária à natureza humana. Este não é o caminho da Torá...
Apesar de entender a dificuldade da filha, seu pai lhe respondeu com ternura:
- Querida filha, saiba que a maneira de se aprender a amar é dar de si para os outros. Um bebê recém-nascido sabe apenas “como tomar”. Este é o motivo pelo qual sua mãe o ama mais do que a si própria. Ela dá e se entrega para ele o tempo todo, enquanto ele apenas recebe benefícios dela. Aquele que dá ama o recebedor muito mais do que aquele que recebe ama quem lhe dá. Uma mãe dá tanto de si para o bebê, que ele lhe parece fazer parte de si própria, pois tudo o que ele tem proveio dela. Portanto, se você quer amar outra pessoa como a si própria, dê-lhe tanto até sentir que ela faz parte de você.
Algum tempo depois, a filha relatou como assimilou esta lição:
“Eu queria muito ter um certo tipo de cinto de couro que estava na moda, mas sabia que não deveria pedir a meus pais que o comprassem. Entretanto, como qualquer garota de onze anos de idade, eu sonhava com aquele ‘luxo’. Então, por dois meses inteiros, guardei a moeda de 1 copeque que minha mãe me dava diariamente para comprar um salgado na hora do recreio na escola. Finalmente, comprei o cinto dos meus sonhos com minhas próprias economias!
“Eu o vesti e caiu perfeitamente. Logicamente, corri para a minha mãe para mostrá-lo. Mama me cumprimentou pelo bom gosto em escolher um cinto que combinava com qualquer vestido e por fazer este esforço independente para comprá-lo. Aí então, uma das filhas da senhora Wolllach (a viúva hóspede) suspirou pesadamente e disse: ‘Que beleza!’ E como se não conseguisse se conter, murmurou o restante do que estava pensando: ‘Quão feliz eu seria se tivesse um cinto como esse...’.
“Pensei por um momento e tomei uma resolução difícil: tirei o cinto de minha cintura e dei-o à garota que tanto o queria. Mama olhou para mim incrédula. Ela sabia o quanto eu sonhara com aquele cinto e quantos pretzels eu deixara de comer para consegui-lo.
“‘Mama’, expliquei mais tarde, ‘agora que utilizei este cinto numa mitsvá tão importante, tornando uma garota órfã feliz, todos os dias que passei sem meu salgadinho da tarde, tudo isto se tornou parte da mitsvá. Que tremendo lucro obtive com aquele cinto! Não venderia esta maravilhosa mitsvá nem por dez mil rublos!’”
Se você quer amar alguém, dê de si para ela. Se quiser que alguma pessoa o ame, receba sua ajuda. Se ela o ajudar e der de si para você, isto gerará um amor dela em relação a você.
Depois de ajudar o próximo, a pessoa começa a enxergar suas virtudes. Amor é o prazer que a pessoa tem em focar o lado positivo das outras pessoas. Uma mãe amará seu filho mesmo que esteja indo mal na escola, não arrume sua cama ou coloque-se em encrencas com a polícia, pois focará seus pensamentos em algo como: “Ele é um bom garoto, tem um bom coração”. Sobre seus defeitos de caráter, ela justificará: “Ele estava andando com más companhias. Eu é que deveria tê-lo repreendido anteriormente”. Assim, outro conselho para amar alguém é fazer uma lista de suas qualidades, acrescentando uma nova a cada dia - durante um mês. Depois, priorize estas virtudes. Voltando nossa atenção para suas boas qualidades, certamente acabamos sentindo amor pela outra pessoa.
Do Meor Hashabat Semanal